Adesivos automotivos não colam mais

Simbologia de uma geração, os adesivos automotivos sumiram dos pára-brisas e mesmo assim tem gente usando esse canal como principal de comunicação de marketing.

geladeira Apenas um item opcional do pacote de material promocional dentro do mix de marketing, o adesivo com logomarcas foi adotado como símbolo de status nos anos 80 e 90.

Pelos adesivos colados nos pára-brisas, cadernos e até janelas de casas você sabia que tipo de esporte a pessoa praticava, qual marca de roupas e calçados gostava, que tipo de música escutava e uma série de outros dados sócio-econômico-culturais de um indivíduo sem a necessidade de lhe fazer uma única pergunta.

Essa prática hoje está bem mais modesta e sobrevive só nos shapes de skate e capacetes de motoboys (e na geladeira ao lado,hehehe). Eu acredito que o ostracismo dessa “mídia” ocorreu por três motivos, necessariamente nesta ordem:

  1. fornecedores de baixa qualidade produzindo aquelas porcarias que deixavam resíduo de cola nas superfícies que não saía nem com ácido sulfúrico
  2. legalização do uso de filmes escuros nos vidros dos carros e a sua adoção em massa
  3. o Orkut e suas comunidades, que são a foto do gosto e comportamento das pessoas. No perfil, a exibição das comunidades inscritas equivale ao pára-brisa adesivado da década passada

Essa mudança cultural aconteceu gradualmente e os profissionais de marketing foram se adaptando. Não sei como a indústria de surfwear está se virando, mas tem emissoras de rádio da cidade de São Paula que ainda estão no século passado na área de promoção de marca. E  ainda tem o fator de não haver hoje em dia uma grande segmentação de estilos musicais relacionados com estilos de vida, as programações tocam de tudo para todos em quase todas rádios.

Percebi isso ao atravessar a cidade em um trânsito infernal e tentando achar alguma coisa decente no rádio. Algumas emissoras ainda fazem suas ações promocionais via “pedágio”, modalidade em que para se candidatar ao prêmio o ouvinte deve colar o adesivo da rádio no seu veículo. Comecei a reparar na rua quem era o perfil desse tipo de ação e não achei nenhum carro adesivado nesse dia, NENHUM! O que acontece? O pessoal cola o adesivo e joga fora na esquina seguinte?

Eu sei que a produção do material é feita por permuta com o fabricante, mas não deixa de ser um desperdício de verba e de oportunidade, afinal existe uma gama de novas possibilidades e ferramentas que permitem uma fidelização mais efetiva da audiência e uma contrapartida mais efetiva de construção de uma base de conhecimento para o negócio.

Nisso me veio outra divagação. Além do DNA dos conglomerados de comunicação, as emissoras de rádio fazem parte do ecossistema da indústria fonográfica. Tá explicado!

Obrigado pela sua colaboração