Com medicamentos, não mais só a morte não tem cura

A obrigação do uso da nomenclatura correta dos produtos visa a transparência para o consumidor, porém se prestarmos atenção veremos os absurdos do mercado, como rações que se passam por comida e remédios que não curam doenças.

Leia com atenção os rótulos dos alimentos e descubra a grande farsa da indústria alimentícia. Carcaças e aparas de carnes (restos de outros processos de produção)  viram embutidos, steakes e outras porcarias em embalagens atraentes. A bebida láctea, um sub-produto da fabricação de queijos, é vendida como iogurte e o agrin, um ácido artificial, já substituiu o vinagre (de vinho) nas prateleiras da maioria dos supermercados. Tudo isso é feito dentro da lei, e o ótimo trabalho de marketing das empresas empurram tudo isso goela abaixo dos consumidores sem causar indigestão.

medicamentos Na indústria farmacêutica a questão semântica esclarece muita coisa da diferença de REMÉDIO (do latim remedium, quer dizer aquilo que cura) e de MEDICAMENTO (que vem do latim medicamentum e significa tratar e cuidar de).

Antigamente existiam poucas causa mortis, se a gente não morresse de velhice era por peste ou mal-súbito. As doenças tinham cura - exceto a peste, claro – porque os remédios funcionavam, fossem químicos, caseiros ou de pajelança.

A medicina avançou fenomenalmente no último século e trouxe à tona uma infinidade de doenças antes desconhecidas. E com elas vieram os respectivos medicamentos para fazer os tratamentos. Existem uma forte teoria da conspiração na internet que diz que a indústria farmacêutica cria doenças para vender seus produtos, mas eu não entrarei nesse mérito aqui. O que estou querendo mostrar é que a partir do boom dos medicamentos a palavra cura deixou de ser usada na mesma sentença – e por vezes nem na mesma página.

O doente que vai ao médico procurar uma cura sai do consultório com uma receita de tratamento com medicamentos. A palavra cura hoje em dia é usada na maioria das vezes com remédios caseiros ou terapias alternativas. Pense nisso. (Mas se persistirem os sintomas não deixe de procurar um médico.)

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