O nanobrinde Chevrolet da Elma Chips

Co-branding é uma arte. Quando executado corretamente o esquema de marcas combinadas alavanca as vendas de ambos parceiros comerciais, mas se feito “nas coxas” o resultado é o oposto e além do desperdício de verba pode também queimar a imagem das  marcas.

O Millôr tem razão em me chamar de pateta, pois eu caí em mais esse golpe contra os fãs de automobilismo:

Cheetos Chevrolet Racing

Benvindos à era da nanotecnologia aplicada ao marketing, o nanobrinde. Tudo bem que na embalagem diz “carrinho”, mas põe INHO nisso! Repare que na verdade ele é pouquinha coisa maior que um anel de latinha de cerveja. Além de ser minúsculo o nanominicarrinhozinho vem pelado, com uma cartela com adesivos de até 0,1 cm para fazermos ele parecer com alguma coisa.

GM tracker Cheetos

Ao estampar a marca Chevrolet Racing na embalagem do Cheetos eu acredito que a GM quis levar os atributos das suas marcas de automóveis para o brinde, mas o sentimento que eu tive não foi nada positivo. Claro que eu não esperava o Astra tipo Stock Car que estampa a embalagem, mas também não queria receber um Chevetão, digo Chevetinho, né?

Olha só o nanobrinde em cima de uma tampa de refrigerante, se não tivesse embalado poderia ter sido mastigado junto com os petiscos.

A Elma Chips tem uma longa tradição de dar figurinhas/cartõezinhos dentro dos pacotes de salgadinhos. Já a Chevrolet não tem o hábito de presentear seu clientes; extintor e estepe vêm no carro por que é obrigatório por lei, se não seriam cobrados como acessórios extras.

A idéia dessa combinação de marcas foi ótima e a época é propícia para isso, pois teremos o GP Brasil de Fórmula 1 e é também a fase decisiva do campeonato brasileiro de Stock Car, ambos eventos com ampla cobertura da TV Globo. E a execução foi boa até a produção da embalagem, bem caprichada, mas o brinde é ridículo. Eu que sou fanático (ou pateta,  como prefere o Millôr) não me sinto estimulado a completar essa coleção, digo coleçãozinha. O pessoal da GM deveria fazer um estágio na Disney Consumer Brands, o braço da Disney que cuida da parte de licenciamento dos seus produtos e que faturou US$ 26 bilhões em 2007, lá eles devem saber alguma coisa sobre co-branding, não?

Obrigado pela sua colaboração